A Lei Geral de Proteção de Dados pessoais (LGPD), que passará a viger daqui há 12 meses, traz uma série de novos requisitos para o tratamento de dados das pessoas. Muito tenho lido e também conversado com clientes após os workshops sobre o tema e assessments que realizamos nas empresas.
Perspectivas, expectativas, receios, dúvidas envolvem os times, gestores, sponsors e donos, e sempre ouso provocá-los:
“Tirem o crachá, se olhem como clientes. Vocês estão preparados para o ‘PODER’, que em agosto de 2020, estará em suas mãos?”
Muitos me olham atônitos, pensam, refletem e diversas opiniões surgem deste debate enriquecedor.
Você – pessoa física – que lê este texto está preparado para a Lei Geral de Proteção de Dados? Sabe sobre seus direitos? Conhece alguma empresa para solicitar suas informações pessoais ou exigir a exclusão de seus dados?
Nesta enquete que sempre faço percebo que o público não está ciente e, mais do que isso, muitos não se importam com seus dados, com sua segurança, com o uso e compartilhamento de suas informações na web.
Adiciono uma simples pergunta: você lê os termos de uso dos aplicativos que baixa em seu celular? A maioria responde que não.
E mesmo após a entrada em vigor da LGPD, certamente muitas pessoas também não terão paciência para consentir (ou seja, “concordar”) com todos os campos exigidos pela Lei e cairemos novamente no baixo zelo com nossas informações pessoais.
Destaco que o público deve entender claramente o poder que nossas informações possuem, que um conjunto de ações mapeadas pode e dará a quem as possuir indicadores preciosos sobre você e sobre seus padrões de comportamento.
A Inteligência Artificial (IA) já está em todos os lugares e em todos setores de nossas vidas. Desde o momento que você acorda, todo seu comportamento é utilizado para alimentar cérebros com IA para posterior predição relacionado a seus gostos e atitudes.
Analisar a agenda, ver horários de voos, previsão do tempo, incidentes de trânsito, sugestões de filmes ou séries na Netflix, Melhores músicas no Spotify, dicas de roteiro de viagens no seu mês de férias, sugestões de compras, sugestões de amizades nas suas redes sociais, melhoria na produtividade etc.
Em tudo que você toca ou não, tem uso de dados pessoais que são capturados pela Inteligência Artificial direta ou indiretamente.
Portanto, nestes próximos 12 meses até a adequação às regras da LGPD teremos o prazo para ajuste das empresas, mas também o prazo para “ajuste” de nossos hábitos e mindset.
Tenha zelo pelos seus dados, seja dono real da sua informação e exija aquilo que lhe é de direito, mas faça isso com consciência, pois a maior riqueza da atualidade são os dados!
Guilherme Martins é sócio da STLaw e fundador da GV2C, especialista em tecnologia e administração de empresas.
